segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O caso "Bispo Macedo"

De tudo que indica, a igreja universal foi criada pelo Bispo Macedo, antes de tudo como meio de sobrevivência e enriquecimento pessoal e familiar. Tudo foi feito e organizado de modo a que o homem se tornasse um instrumento fácil de manipular, pelas mãos hábeis daqueles aos quais aproveita a religião como fonte de rendimentos.

Pelo visto, o Bispo Macedo conseguiu o seu objectivo de possuir uma empresa, que explora a humanidade crente, vendendo o nome de Deus a grosso. Com sua grande habilidade, em pouco tempo a sua pregação caiu no gosto popular, penetrando nos corações, nas vidas e nas casas dos moçambicanos, invadindo inclusive hospitais como forma de pôr em causa o nosso sistema nacional de saúde.
Tal ideal de vida conquistaria, como realmente aconteceu, ao simples cidadão, enfim, a gente humilde. Mas não tendo ficado restrita à classe inculta e pobre, como seria de se pensar, começou a ganhar adeptos entre académicos e intelectuais não esclarecidos.

Por isso, torna-se necessário que o povo seja esclarecido acerca dos assuntos de crenças e religiões nos termos da verdade, da razão e da lógica, a fim de se libertar de medo, tabus e dogmas inventados pelos homens de Deus.
Uma boa dose de conhecimentos científicos é certamente a melhor maneira de remover os obstáculos à libertação do homem, criado pelo Bispo Macedo, nas suas pregações.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O primitivismo contemporâneo

É triste e revoltoso quando observamos a nossa volta, a falta de consciência que existe nas pessoas. O primitivismo está de tal modo que já não existem valores a serem respeitados. A cada dia que passa há cada vez menos respeito por si mesmo como pelos outros.
 
Nos dias de hoje, o que era de baixo nível é o que todos querem usar. Acho que é uma pena que as mulheres se tenham deixado tornar um produto consumível como uma lata de cerveja, e que o homem se tenha tornado tão fútil que seja isso que lhe chame mais atenção. De facto vivemos tal como os répteis, com os nossos instintos mais primitivos e carnívoros.
 
Estamos no tempo em que o assassino mata e diz que ajudou, que achamos certo que para fazermos paz temos que fazer guerra. O Homem é valorizado pelo que tem não pelo que é no seu interior.
Existe uma grande inveja de certo extracto social, não a nível financeiro, a nível de berço, valores, princípios, educação que estão em decadência, e a TV, rádio, revistas pornográficas, internet, facebook são os principais motivadores disso tudo. Tudo isso acontece por nossa culpa, pois deixamos de ser nós para ser o que os outros dizem, pois deixamos que a nossa liberdade fosse comprada com toda facilidade e naturalidade do mundo. Portanto, estamos rodeados por pessoas sem amor pelos outros, só amor pelo dinheiro, pessoas corruptas mas que se apresentam sempre como benfeitores, mas o pano terá que cair.

O nível é preocupante porque muitas pessoas não têm bagagem. O ter bagagem vem de ter uma educação, postura, moral, respeito, amor-próprio e pelos outros. Faz tudo parte de uma boa bagagem.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Na República de auto-estima:

  1. Os Jovens atravessam a fronteira do País e partem à procura de um futuro com Futuro.
  2. A Educação é como uma licenciatura tirada sem mérito e sem trabalho arquitectada por amigos docentes e abençoada numa manhã dominical.
  3. É mais importante a estatística dos números que a competência científica dos alunos porque o que interessa é encher as salas.
  4. A corrupção faz parte do jogo onde os jogadores e os árbitros são carne do mesmo osso e partilham o mesmo tempero.
  5. A justiça é ela própria uma injustiça porque serve quem é rico e influente com leis democraticamente pobres.
  6. As prisões não são para os ladrões ricos porque os ricos não são ladrões. Já que um desvio é diferente de um roubo.
  7. Os governantes, na sua esmagadora maioria e apenas possuem experiência partidária que os conduz pelas veredas do "sim ao chefe".
  8. A Saúde é uma doença crónica onde, quem pouco tem e é sempre colocado na coluna da despesa.
  9. Se paga a quem nada faz e se taxa a quem pouco aufere porque no teu País a incompetência política é definida como coragem patriótica.
  10. As falências são uma normalidade, o desemprego é galopante, a criminalidade assusta, o limiar da pobreza é gritante, mas a importação de carros de luxos ... aumenta.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Entre o desejo de ter filho e a infertilidade: O impacto emocional

O desejo de ter filhos é um sentimento inato, primitivo. A fertilidade está relacionada à realização pessoal, e a incapacidade de procriar representa uma falha em atingir o destino biológico, além de ser um estigma social. Portanto, a capacidade de perpetuar a espécie representa uma essência para a realização do ser humano, e todos os tempos e em todos os povos. A preocupação com a fecundidade vem se desenrolando na história de tal modo que a incapacidade de gerar representou, sempre, uma ameaça, um temor que poderia significar motivo de degradação nos grupos familiares e sociais.

A nossa sociedade sempre exerceu uma cobrança muito forte com relação à maternidade. As mulheres, até mesmo quando crianças, já são induzidas a brincar de boneca, panelinha, gerando em si mesmas o desejo de ser mãe. Com a descoberta da infertilidade, a mulher sente sua feminilidade ameaçada, pois isso impede que se cumpra a vocação natural de ser mãe. Alem disso, elas sentem-se imperfeitas, incompetentes, alienadas do mundo fértil e excluídas da vida social.

Por isso, quando um casal descobre sua infertilidade, vêm à tona diversas questões existenciais humanas, sociais e também religiosas. Essa pressão social é intensificada a partir do momento em que eles se casam. O próprio padre ou pastor no momento da cerimonia já demonstra essa pressão social, quando ele diz aos noivos que estes estão constituindo uma nova família. Logo após a cerimonia começam as cobranças da família e dos amigos sobre quando irão ter filhos.

Com tanta pressão que nossa cultura e sociedade exercem sobre o casal, quando os mesmos descobrem que são inférteis, se deparam com a frustração de suas expectativas e da sociedade. A infertilidade é vivida pelo casal como a perda de uma grande capacidade – a de procriação. Eles passam a ter a sensação de serem os únicos que enfrentam esse “problema”. Alem disso, todas estas questões geram um grande stresse na relação sexual, pois esta passa a ter um papel cujo objectivo maior é a procriação e não o prazer.

Com isso, esse casal chega ao ponto de se questionar se são suficientemente bons para o seu parceiro e alguns pensam até em abdicar do casamento para que o companheiro possa ter um filho com outra pessoa.
É uma realidade muito triste.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

EM NOME DA GANÂNCIA


O pior inimigo do homem é o próprio homem. Se o ser humano tem um predador, esse predador são os seus próprios companheiros. O homem no geral é ganancioso, busca acima de tudo o poder, e consequentemente muito dinheiro, pois afinal, em nossa sociedade dinheiro é poder, todo mundo sabe disso. E para que o ser humano deseja poder e dinheiro? Justamente para se impor aos outros, ser melhor que os outros. E quem são os outros? Os outros são seus próprios companheiros, sua própria raça.
Toda essa sede pelo poder e a ganância desmedida pelo "ter", conduziu a sociedade injusta em que vivemos, onde reina a desigualdade social, em que muitos têm pouco e poucos têm muito.
E no centro disso tudo está o governo, o Estado. Nos livros, o Estado e a Teoria Geral do Estado, são fascinantes. A teoria é linda com uma visão romântica e poética que temos do Estado. E isso nos fez por muito tempo não questionar a realidade que nos cerca.
Todavia, hoje é diferente. Portanto, nos manuais, nas escolas e nas universidades, o Estado é ensinado, idealizado e retratado como o "Deus na Terra", aquele ente que tem a responsabilidade de fornecer segurança e garantir as necessidades básicas do homem. Mas na prática a realidade é outra. É outra, porque aqueles que exercem o poder de governo buscam loucamente satisfazer os seus próprios interesses e de sua classe, sem se importar verdadeiramente com o bem-estar do povo.
E como não tem interesse na instrução do povo para que não se rebelem contra a ordem vigente, os governantes nada fazem para melhorar a vida do seu povo.
O desejo dos governantes é que sejamos patrióticos como vítima do lambebotismo, e que aceitemos todas as suas determinações silenciosamente, sem qualquer protesto, como ignorantes da geração da velocidade.
O Estado por meio dos governantes, que são homens, é um lobo feroz, que ataca os cidadãos, e os impede de reclamar contra a ordem vigente quando lhes nega um sistema educacional adequado, deixando-os em completa ignorância.
Todos deviam ter a consciência de que o poder emana do povo, e que os governantes apenas nos representam, e que se concedemos o poder temos também a prerrogativa de tirar um dia.
Enquanto isso não ocorre, continuaremos a viver em um Estado falido, injusto em que os governantes são verdadeiros lobos na pele de cordeiro, que usam o poder para satisfazer seus interesses, desprezando o bem-estar da população. AMEN

sábado, 23 de junho de 2012

A NATUREZA SOCIAL DO HOMEM

A análise do comportamento dos seres humanos conduz-nos a reconhecer que estes são dotados de uma natureza eminentemente social. Mostra-nos a observação que o homem, ao contrário da grande maioria das espécies, não vive isoladamente, mas em sociedade.
Mas quem diz sociedade humana diz vida de convivência. E quem diz convivência diz regras, pois não podem as pessoas viver em comum sem que exista, ao menos, um elenco mínimo de princípios por que se pautem os seus recíprocos modos de agir.
O dado fundamental da vida social é, na verdade, que esta não pode fazer-se sem uma disciplina. Superando os elementos que a compõem, a sociedade é, em si mesma, uma entidade para cuja subsistência essencial, é condição sine qua non a presença de regras que atribuam a cada indivíduo uma função específica, determinando-lhe outros, quer por meio de actos quer por meio de omissões, em ordem à consecução dos fins sociais.
A existência de normas capazes de definir os comportamentos de cada homem nas suas relações com os demais é, assim, um dado inerente à própria vida das sociedades, pois a colaboração interindividual que delas é pressuposto não pode desenvolver-se sem que surjam regras comummente obedecidas pelos respectivos membros.
Por outro lado, as regras de conduta constituem o instrumento responsável para se obter a segurança de que cada membro do grupo necessita na sua vida de relação com os demais.
Na verdade, só a existência de regras de conduta social permite tornar previsíveis as condutas alheias e a elas adequar, portanto, as condutas próprias. É esta previsibilidade que proporciona aos indivíduos a necessária segurança e faz possível, por via dela, a colaboração interindividual necessária ao conseguimento dos fins sociais.

Gaby Lomengo

terça-feira, 12 de junho de 2012

“Lambebotismo“ retarda o desenvolvimento dos jovens


Falta de direcção e referências, a ganância pelo poder político e económico sem o mínimo esforço, assim como o excesso de bajulação e “ lambebotismo “ são apenas alguns de uma lista de males que enfermam a juventude moçambicana. Há jovens por ignorar o seu potencial ficam atrelados a figuras ou organizações políticas, num cenário de bajulação e “lambebotismo”, para obterem ganhos pessoais. As figuras referenciadas devem servir de fontes de inspiração da camada juvenil nas acções de combate contra todos os males que minam o desenvolvimento do país, assim como a melhoria das condições de vida dos moçambicanos, principalmente a corrupção.
Por isso, é necessário que os jovens tenham um espírito aberto e que saibam aceitar as posições dos outros, mas combatendo sempre os dogmas através do questionamento constante das soluções acabadas. Isso, segundo ele, tem que ser feito da maneira mais científica possível, quebrando tabus.
O contrário disso atrofia a análise e leva-nos a aceitar tudo o que vem como certo, incontornável e indiscutível. Aceitar tudo equivale ao lambebotismo, que é o maior mal que graça a nossa sociedade, onde as pessoas tendem a querer agradar o chefe, com todas as artimanhas possíveis.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Homem do Senso Comum e a filosofia

O homem do senso comum vive imerso em seus afazeres quotidianos, sua vida e eminentemente utilitarista, na medida em que vive a partir de um senso imediatista do mundo. É um homem que vive num período de uma educação mercantilista e tecnicista cujo único objectivo e preparar os jovens como mão-de-obra para o mercado de trabalho. É um homem que vive num mundo utilitarista, pragmático onde o material ocupa todas as instâncias colocando o subjectivo na periferia. Isto é, as tarefas quotidianas do conforto material do trabalho, de casa e até mesmo o entretenimento e o divertimento impedem que homem comum dedique-se a uma reflexão mais profunda sobre a sua existência, reflexão que poderia aproxima-lo mesmo que de uma forma bastante superficial da filosofia.

É neste sentido que dogmatismo na vida deste homem está fortemente enraizado devido a sua relação prática e utilitarista com o mundo que não permite uma abertura a reflexão filosófica. Para ele, tudo deve possuir um sentido e uma utilidade, e se tal sentido e utilidade já se encontram como “dados” por isso não faz nenhuma reflexão crítica sobre o fundamento da realidade ou da constituição do mundo.

Assim o homem do senso comum, absorvido pelas suas actividades quotidianas no trabalho e na relação familiar, não vê nenhum propósito na exploração da essência do mundo porque isso já se manifesta como algo definido para ele. Mas o perigo e o mal disso tudo não só constrói um dogmatismo no sujeito, como acaba por determinar toda uma história de vida, do modo de ser de um sujeito no mundo. A sua compreensão do mundo, o seu posicionamento ético, o seu comportamento, os seus medos, os seus preconceitos, as suas decisões, tudo que envolve a sua existência acaba por ser determinada a partir do seu posicionamento dogmático. Ou seja, o dogmatismo uma vez enraizado aprisiona o espírito no senso comum de tal forma, que se torna uma tarefa muito difícil desconstrui-lo. O dogmatismo forma desde a infância, uma base muito forte, na qual o sujeito deposita todas as suas forcas, romper com esta base significa em última instância um exercício perigoso na medida em que a compreensão de mundo ficará suspensa por tempo indeterminado e a realidade irá mudar completamente, colocando o indivíduo na angústia da sua própria existência.

Assim, a ruptura com o dogmatismo é elemento chave para o filosofar, elemento sem o qual a própria filosofia não se move. Esta emancipação exigirá do homem imerso no dogmatismo, em primeiro lugar, um afastamento do mundo prático.

Portanto, a filosofia como demonstramos anteriormente e a única capaz de causar a ruptura do homem do senso comum com o seu dogmatismo. Tal conquista exige do indivíduo uma ruptura com as instâncias dogmáticas, que o impedem de evoluir intelectualmente rumo a um processo emancipadores, de libertação de nossas crenças e limitações.

Entendemos que esta abertura a filosofia, manifesta-se como algo intimamente existencialista, na medida em que o indivíduo, movido por motivações de ordem pessoal, conduzido pela admiração, pela dúvida, pela revolta ou pela insatisfação moral, questiona a totalidade dos fundamentos da realidade visando a ruptura com uma espécie de “dogmatismo natural” que impede a compreensão clara e objectiva dos factos a sua volta.
Por “realidade” entende-se não somente a existência material ou subjectiva do sujeito no mundo, mas todo o contexto cultural, politico e ideológico que o cerca, o funcionamento das estruturas de poder e de dominação que se manifestam na sociedade contemporânea. O reconhecimento desta realidade se da mediante a ruptura com o dogmatismo, através da actividade do filosofar. A conquista do filosofar por sua vez e existencialista na medida em que o indivíduo absorvido pelos próprios questionamentos sobre o “véu” que esconde esta realidade resolve romper por iniciativa própria com o seu dogmatismo, quebrando as cadeias de pensamentos triviais do senso comum.

Uma vez que sejam quebradas estas cadeias e o dogmatismo seja rejeitado, o homem comum suspende todos os seus juízos, sendo que a sua compreensão de mundo acaba por vacilar, deslocando o indivíduo do seu prumo de centro e o afastando da realidade pragmática do mundo. Este afastamento do mundo incide em um problema serio que pode desembocar na adopção de uma posição céptica ou niilista. Para que o indivíduo não se perca neste percurso e necessário o seu retorno ao mundo, só que desta vez, o “mundo” possuirá um significado diferente do que possuía para o dogmático anteriormente, pois uma vez que tenha conquistado o “filosofar”, sua concepção de mundo passa a ser eminentemente filosófica.
Gaby Lomengo

sexta-feira, 9 de março de 2012

Compreender o mundo e o outro

Ajudar a transformar a interdependência real em solidariedade desejada, corresponde a uma das tarefas essenciais da educação. Deve, para isso, preparar cada indivíduo para se compreender a si mesmo e ao outro, através de um melhor conhecimento do mundo.

Para podermos compreender a crescente complexidade dos fenômenos mundiais, e dominar o sentimento de incerteza que suscita, precisamos, antes, adquirir um conjunto de conhecimentos e, em seguida, aprender a relativizar os factos e a revelar sentido crítico perante o fluxo de informações. A educação manifesta aqui, mais do que nunca, o seu caráter insubstituível na formação da capacidade de julgar. Facilita uma compreensão verdadeira dos acontecimentos, para lá da visão simplificadora ou deformada transmitida, muitas vezes, pelos meios de comunicação social, e o ideal seria que ajudasse cada um a tornar-se cidadão deste mundo turbulento e em mudança, que nasce cada dia perante nossos
olhos.

A compreensão deste mundo passa, evidentemente, pela compreensão das relações que ligam o ser humano ao seu meio ambiente. A exigência de uma solidariedade em escala mundial supõe, por outro lado, que todos ultrapassem a tendência de se fecharem sobre si mesmos, de modo a abrir-se à compreensão dos outros, baseada no respeito pela diversidade. A responsabilidade da educação nesta matéria é, ao mesmo tempo, essencial e delicada, na medida em que a noção de identidade se presta a uma dupla leitura: afirmar sua diferença, descobrir os fundamentos da sua cultura, reforçar a solidariedade do grupo, podem constituir para qualquer pessoa, passos positivos e libertadores; mas, quando mal compreendido, este tipo de reivindicação contribui, igualmente, para tornar difíceis e até mesmo impossíveis, o encontro e o diálogo com o outro.

A educação deve, pois, procurar tornar o indivíduo mais consciente de suas raízes, a fim de dispor de referências que lhe mpermitam situar-se no mundo, e deve ensinar-lhe o respeito pelas outras culturas. Há determinados ensinamentos que se revestem de uma importância fundamental a este respeito. O ensino da história, por exemplo, serviu muitas vezes, para alimentar identidades nacionais, pondo em relevo as diferenças e exaltando o sentimento de superioridade, essencialmente, porque se concebia numa perspectiva extra-científica. Pelo contrário, a exigência de verdade, que leva ao reconhecimento de que “os grupos humanos,
povos, nações, continentes, não são todos iguais”, por isso mesmo, “obriga-nos a olhar para além da experiência imediata, a aceitare reconhecer a diferença, e a descobrir que os outros povos têm uma história, também ela, rica e instrutiva. O conhecimento das outras culturas torna-nos, pois, conscientes da singularidade da nossa própria cultura mas também da existência de um patrimôniocomum ao conjunto da humanidade.

segunda-feira, 5 de março de 2012

SER JOVEM

Partimos da idéia que ser jovem é, ao mesmo tempo, uma condição social e um tipo de representação. De um lado há um carácter universal dado pelas transformações do indivíduo numa determinada faixa etária. De outro, há diferentes construções históricas e sociais relacionadas a esse tempo/ciclo da vida. De maneira geral, podemos dizer que a entrada da juventude se faz pela fase que chamamos de adolescência e é marcada por transformações biológicas, psicológicas e de inserção social. É nesta fase que fisicamente se adquire o poder de procriar, quando a pessoa dá sinais de ter necessidade de menos proteção por parte da família, quando começa a assumir responsabilidades, a buscar a independência e a dar provas de auto-suficiência, dentre outros sinais corporais e psicológicos.
Mas, ao mesmo tempo a construção social da juventude pode se dar de forma muito variada nas diferentes sociedades e em diferentes momentos históricos. Assim, podemos dizer que cada sociedade e cada grupo social lida e representa de maneira diversa esse momento. Essa diversidade se concretiza nas condições sociais (classes sociais), culturais (etnias, identidades religiosas, valores), de gênero, nas regiões geográficas, dentre outros. É muito diferente, por exemplo, a noção do que é o jovem, de como vivencia esta fase e de como é tratado em famílias de classe média ou de camadas populares, em um grande centro urbano ou no meio rural. Nesta perspectiva não podemos enquadrar a juventude em critérios rígidos, como uma etapa com um início e um fim pré- determinados, muito menos como um momento de preparação que será superado quando entrar na vida adulta.
Devemos entender a juventude como parte de um processo mais amplo de constituição de sujeitos, mas que tem suas especificidades que marcam a vida de cada um. A juventude constitui um momento determinado, mas que não se reduz a uma passagem, assumindo uma importância em si mesma. Todo esse processo é influenciado pelo meio social concreto no qual se desenvolve e pela qualidade das trocas que este proporciona. Enfim, podemos dizer que não existe um único modo de ser jovem, o que nos leva a enfatizar a noção de juventudes, no plural, para explicitar a diversidade de modos de ser jovem existentes. Neste sentido, é fundamental que cada escola ou projeto educativo busque construir, em conjunto com os próprios jovens, um perfil do grupo com quem atuam, detectando quem são eles, como constroem o modo de ser jovens, as suas demandas, necessidades e expectativas.

A construção de uma sociedade democrática não pode desconsiderar os desafios e dilemas vividos pelos diferentes sujeitos sociais nos seus ciclos da vida. Esse desafio está colocado para os jovens e para o mundo adulto. Estamos desafiados a incrementarmos ainda mais as políticas sociais de caráter universal e de construirmos políticas específicas voltados para segmentos juvenis, grupos étnico/raciais e setores marginalizados na sociedade.
Os indicadores sociais e os dados estatísticos apontados nesse texto revelam não só uma imensa diversidade presente na condição juvenil como, também, o processo de desigualdade que incide sobre os jovens de acordo com de sua origem social, gênero, raça/etnia.
Se reconhecemos que as sociedades também se constroem na diversidade, não podemos esquecer essa importante dimensão do humano nos momentos de implementação de políticas públicas. Um dos desafios colocados pela juventude para os/as educadores/as e formuladores de políticas é: como construir políticas e práticas que visem a igualdade social e ao mesmo tempo contemplem a diversidade do mundo juvenil?
Se compreendemos que vivemos em meio a diferente formas de ser jovem e temos diante de nós juventudes, no plural, não podemos pensar que somente a implementação de uma política social de caráter universal, voltada para a juventude, contemplará por si só as especificidades desses sujeitos. Por isso, fazem-se necessários a elaboração de diagnósticos mais precisos, o conhecimento das diversas condições juvenis, a socialização das práticas positivas existentes e o desenvolvimento de uma maior responsabilidade e sensibilidade para com esses sujeitos sociais nos seus processos de formação humana.